Resenha: Cowabunga! - Desventuras de um Ex-surfista

Título: Cowabunga!
Autor: Ana Paula Seixlack
Páginas: 160 páginas
Editora: Benvirá
Ricardo Avelar, o Zimbo, era um jovem surfista com um futuro brilhante quando um grave acidente encerrou sua carreira. Amargurado, há mais de quarenta anos vai à praia e passa o dia observando o mar. Ao longo das horas, sente o impulso de cair na água e mostrar como um verdadeiro surfista domina as ondas. Mas sempre fracassa. Além da frustração de voltar para casa sem surfar, Zimbo tem de lidar com um relacionamento conturbado com Letícia, sua jovem namorada que não abre mão de uma vida agitada com os amigos. Resta ao surfista relembrar as aventuras de seus dias de glória enquanto cuida de sua prancha na areia. O difícil é conseguir identificar o que é realidade e o que é fantasia em suas lembranças. Com um texto divertido e cheio de referências aos anos 1960 e 1970, Cowabunga é surpreendente desde seu título, que remete a um grito de guerra dado pelos surfistas. Ao final da leitura, você terá feito um novo amigo e talvez até descubra seu lado surfista. Prepare sua prancha e prove que sua técnica está apurada para deslizar pela vida tumultuada de Zimbo.



Minha Opinião: 


Quando comecei a ler Cowabunga! não sabia o que esperar, quais expectativas tomar para o livro ou mesmo o que não esperar, mas decidi que precisava conhecer este nacional com toque sulista e não me arrependi.

O livro narra a estória de Ricardo Avelar, Zimbo para todos, ele é um ex-surfista que fez muito sucesso na década de sessenta e setenta, conquistando muitos prêmios e fazendo uma carreira muito promissora, mas um trágico acidente encerrou sua vida no surfe. Atualmente, Zimbo chegou a melhor idade, amargurado e revoltado, ele está sempre em busca da onda final, aquela que o libertará de seus temores, enquanto vive entre a realidade amarga e as lembranças de um brilhante passado.

O personagem foi muito bem construído, acredito que se Ana Paula queria dar um ar ranzinza ao seu personagem ela conseguiu com êxito, Zimbo mostra claramente a decepção que acredita estar sua vida e como ela já havia sido nos dias de glória. Há também os momentos de recordação, onde você percebe a saudade que o personagem sente de sua vida aos vinte anos. Temos também Letícia, a jovem namorada de Zimbo, com idade para ser sua neta, Letícia sempre tem tempo para os amigos e festas, entretanto Zimbo não se importa, neste ponto é claramente perceptível sua desilusão com vida, pois em muitos momentos ele apenas “usa” da companheira como empregada.



“Mas sobre o que refletiria? Sua vida já estava escrita em linha reta, e, até que criasse as próprias curvas de seu caminho, ela seguiria da mesma forma.”

Página 76 (Cowabunga! – Desventuras de um Ex-surfista)


Narrado em terceira pessoa e com descrições leves, a autora trouxe o universo da praia, sol, mar e surfe de uma maneira bem dinâmica. O leitor é transportado para as praias do sul e para o clima de Florianópolis, fiquei mergulhada no universo e, apesar de não gostar muito de praia, senti que precisava ir ver o mar enquanto lia este livro. Nostálgico e dramático na medida certa, ele se volta para vários públicos, com dilemas e preocupações que influenciam qualquer fase da vida. Os questionamentos utilizados pelo personagem em suas reflexões, além de sua desilusão com a vida, possui em muitos aspectos toques peculiares que fogem ao clichê e que agradarão os mais diversos públicos.

O final me deixou perplexa, porém de um jeito bom, pois não imaginei que a autora caminharia para um desfecho como aquele, que apesar de difícil foi muito bem feito e emocionante. Tive muitos palpites para o fim e fiquei feliz em ser surpreendida desta forma, todo leitor gosta de um final distinto e que se destaque, e este com certeza é um destaque a parte.

Um livro leve, assim como a capa traduz, excelente para uma tarde na praia, de leitura muito rápida, mas intensa. Os leitores de Cowabunga! vão mergulhar numa estória de praias e se surpreenderão com os toque mágicos que os detalhes dos anos setenta podem dar às páginas deste livro. Um nacional que vale a pena se conhecer. Espero ansiosa por novos livros de Ana Paula Seixlack.

Beijos,
Amanda

Todos os direitos reservados a Amanda Aureliano.

8 comentários:

  1. Adorei a resenha!!!! Sucinta e objetiva, sem spoilers e com gostinho de "quero mais".
    Tive a mesma sensação quando li o livro: esqueci-me de onde estava e mergulhei naquela praia e na alma do protagonista.
    Realmente, é leve, intenso e divertido. O final me surpreendeu muito, quase um choque, rsrsrs..mas amei.
    bjsss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Nalia
      Que bom que gostou da resenha. O final é realmente surpreendente, pega qualquer leitor desprevenido rsrs... É mesmo um mergulho e tanto esta leitura! :D

      Beijos

      Excluir
  2. Adorei a resenha, Amanda. Muito boa a sua abordagem! E adorei o blog também,

    Já li Cowabunga! e me apaixonei. Essa obra é excelente! A autora tem um estilo muito peculiar de escrever. Tanto que não saberia comparar este livro com qualquer outra. Esperando ansiosa pelos próximos trabalhos dela.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Caroline
      Fico muito feliz que tenha gostado da resenha e do blog! Seja muito bem-vinda! :D
      Concordo com você, a autora possui um modo muito particular de escrita. São os nossos nacionais, cada vez mais diversificados e com muita competência. Vamos esperar mais obras \o/ rs
      Beijos

      Excluir
  3. Que resenha bacana! E esse livro é show de bola mesmo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Carlos. Que bom que gostou. O livro é mesmo sensacional! :D

      Excluir
  4. Simplesmente é um dos meus livros favoritos EVER!
    Não tenho nem palavras para descrever o livro...achei perfeito do inicio ao fim!
    Mto anos 60, reflexivo, engraçado, dramática, instigante e longe do senso comum.
    Surpreendeu-me demais. Recomendo a qualquer um, gostando ou nao de surf. A historia é de-li-cio--sa!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo com você Anna. O livro é extremamente peculiar e é sua originalidade que o tornam tão bom! O clima dos Anos 60 é simplesmente fantástico. ;)
      Beijão

      Excluir



Visualizações

Arquivo

Categorias